Uma versão cantada por Cláudia Ohana do clássico "Sympathy for the Devil", dos Rolling Stones, e a transformação de um vampiro em cachorro são algumas das atrações do primeiro capítulo da nova novela das 18:50 da Globo, "Vamp" . A novela substitui a partir de amanhã "Lua Cheia de Amor".
A trama é centrada em duas famílias numerosas, com adolescentes e crianças - o que de certa forma lembra ''Carrossel", atual sucesso do SBT.
"Vamp", porém, sugere um não à mexicanização - pelo menos no que diz respeito à procura de um gênero inédito em telenovelas: o horror "soft", concentrado na trupe de vampiros que a povoa.
A música de abertura é "Noite Preta", da cantora e compositora paulista Vange Leonel. O elenco tem Bete Coelho e Bel Kutner, ambas estreantes,em novelas.

Bel Kutner é filha de Paulo José e Dina Sfat e integra o elenco da peça "O Gigante da Montanha", de Pirandello, que o diretor Moacyr Góes encena no Rio. Na novela, é Scarlet, uma intelectual, feia assumida que adota um comportamento precoce de solteirona.
A emissora apostou alto na realização do primeiro capítulo da novela. Para dirigir os efeitos de maquiagem que vão transformar o conde Vladimir Polanski (Ney Latorraca), vampiro de 200 anos de idade, num cachorro, a Globo importou o técnico norte-americano Bob Clark.
No clip que vai pontuar algumas cenas do capítulo, a cantora de rock e vampira Natasha (Cláudia Ohana) canta "Sympathy For The Devil", clássico dos Rolling Stones. Ohana canta a música ainda em um show, que também integra o primeiro capítulo.
Ohana não foi dublada na versão. "Ela canta para caramba", disse o diretor musical da Rede Globo, Mariozinho Rocha, 44, que não acreditava que Ohana pudesse dispensar uma "ghost singer". Foi a atriz que pediu para fazer um teste de canto.
A história de "Vamp" é centrada numa família de 12 crianças. Seis delas são filhos do viúvo Jonas (Reginaldo Faria), um capitão reformado da Marinha. Todos vivem sob uma rigorosa disciplina. Caberá à também viúva Carmem Maura (Joana Fomm) subverter essa ordem. Ela é uma historiadora, mãe de seis filhos, inclusive Scarlet.

Antônio Calmon utiliza as famílias numerosas de Jonas e Carmem para abordar temáticas como sexo na adolescência, masturbação e problemas escolares.
Com os vampiros ele cria uma metáfora sobre o poder. Ao longo da novela, personagens serão vampirizados. Passarão a integrar uma espécie de gangue do mal.
Só dois vampiros não foram pintados com tintas negativas: Natasha e o pintor Ivan (Paulo José). Os dois se recusam a vampirizar outras pessoas e sobrevivem fazendo transfusões de sangue.

Matéria publicada na Folha de São Paulo em 14/04/1991
Escrita por Sônia Apolinário
Colaborou para o blog Júlio César Martins
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