A nova novela das sete, na Rede Globo, tenta sacudir a poeira e revitalizar o gênero na tecla do horror soft. Escrita por Antônio Calmon, com a assistência de Vinícius Vianna, Lilian Garcia e Thiago Santiago, Vamp pretendia fazer uma mistura dosada entre os pequenos sustos provocados pelos efeitos especiais, personagens-alegorias do poder econômico e os temas infanto-adolescentes, no filão explorado pela mexicana Carrossel, em Ibope ascendente no SBT. Vamp tem, de um lado, uma trupe de vampiros e, do outro, as trapalhadas de dois viúvos às voltas com nada menos do que doze crianças, seis de cada um.
O resultado é no mínimo esquizofrênico: nem horror nem comédia, .tentando ser os dois. Até na linguagem televisiva esta divisão se repete. A ala do horror recebe um tratamento neon-realístico na iluminação, nos figurinos, nos efeitos, na edição. A ala cômica, bem ao contrário, se aproxima das gags de desenhos animados, inclusive congelando imagens e transmutando-as em flashes de histórias em quadrinhos. Parece não haver relação entre as duas trilhas do enredo, como se fossem tramas paralelas que pertencessem a novelas diferentes. Há recados cifrados para os amigos, como o nome do rei dos vampiros, Vladmir Polanski (Ney Latorraca), numa referência óbvia ao diretor de cinema Roman Polanski, ou a gracinha com o nome do diretor teatral Gerald Thomas, transformado em Gerald Lamas (Guilherme Leme), ou ainda Carmem. Maura (Joanna Fomm), que cita o nome de uma atriz cômica espanhola. Trocadilhos para o deleite de meia dúzia.


Matéria publicada no Jornal do Brasil
17/7/1991
Por Marília Martins
eu amo vampiro e eu vo conheser a transilvania um dia
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