terça-feira, 3 de maio de 2011

ALÉM DA NOITE PRETA - CIGANA EQUILIBRISTA



Juliana Martins não tem a menor dificuldade para chorar em cena. Atualmente vivendo a trapezista Esmeralda em "Vamp", ela vem de um papel que lhe exigiu muitas lagrimas na minissérie "Riacho Doce". Sua personagem era uma grande sofredora, uma menina pobre vendida por seu pai a um homem mais velho e repugnante:

- Houve cenas de choro que precisaram ser repetidas três vezes, por problemas técnicos. Como tenho facilidade, ia lá e chorava tudo de novo.

Mas ela não quer ficar presa à imagem de boazinha, e está contente porque Esmeralda começa a soltar sua porção cigana. Ela vai largar João (Pedro Vasconcellos), seu parzinho ideal, e se envolver com Leon (Rodrigo Penna). Uma transição sentimental que deve ter toques de "Cyrano de Bergerac", com a personagem trocando o bonitinho pelo inteligente. No entanto, mais choradeira deve se intrometer no caminho da atriz, possivelmente quando for revelado o nome de seu pai verdadeiro Simão (Evandro Mesquita) adotou-a quando bebê.

De qualquer forma, Juliana não se importa se tiver que se debulhar em lágrimas mais vezes. O trapézio também não é problema, pois está fazendo aulas de circo. Sua maior dificuldade é equilibrar os horários, conciliando as gravações, que se estendem às vezes por mais de 13 horas, com os estudos na 2ª série do Segundo Grau no Ceat. No Tablado, onde faz curso há quatro anos, ela já virou aluna-fantasma. E teve também que adiar sua estréia no teatro, engavetando o projeto de um musical dirigido por Ewerton de Castro para o qual já vinha ensaiando e fazendo aulas de canto.

Preparando-se profissionalmente cada vez mais, Juliana escreve alguns textos sobre o comportamento de Esmeralda, acrescentando idéias, sempre que possível, aos scripts de Antônio Calmon.

- Comecei a trabalhar e só depois fui estudar e me preparar - conta a atriz, que estreou aos 11 anos na novela "A gata comeu"



Publicado em 3/8/1991
Jornal O Globo

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